quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ateísmo Cristão

 atesmocristo

Há uma corrente filosófica que afirma que o conceito cristão de Deus é desnecessário e fora do contexto cultural, devendo por tanto ser descartado. Estes filósofos e teólogos não estão dispostos a crer em Deus, como apresentado nas Escrituras, mas se aferram aos princípios morais e éticos de Jesus. Por isto são chamados de Ateus Cristãos.

Entretanto, existe um outro tipo de ateísmo cristão, menos filosófico e teórico. Neste tipo de filosofia ateísta, não se questiona racional e logicamente a existência de Deus. De fato, a assume e a mantém como fato.

Não obstante, este tipo de ateu cristão arvora-se o direito de definir como Deus deve agir e legislar. A dinâmica do pensamento do ateu cristão é que ele sabe de forma clara e precisa como o mundo deve ser e Deus deve, por necessidade, se render a sua vontade.

Ou seja, em cada aspecto da vida no qual a vontade do ateu cristão se move para um lado, a vontade de Deus deve também se mover para aquele lugar, mesmo em detrimento a Vontade Revelada e Escrita.  De fato, a Vontade Escrita, ou Escrituras, ocupam lugar secundário na vida do ateu cristão. A Bíblia passa a ser um compêndio de moral, cujo valor é apenas relativo, sempre que esteja de acordo com a vontade do homem.

É o pensamento implícito de que vale mais o que eu penso, o "eu acho" do que o que efetivamente está escrito. É o levantar-se contra toda forma de autoridade, por vê-la como cerceante, sem contudo abertamente dizer-se ateu, mantendo a forma, mas negando a eficácia da soberania divina. É, em suma, dizer que Deus existe apenas na medida em que Ele seja necessário e intrínseco, não por ser o Criador do Universo e Rei Soberano sobre os mundos, mas  como um elemento dialético da tensão da existência, meramente uma resposta externa aos questionamentos levantados pelo próprio homem, nos moldes da teologia de Paul Tillich.

Por isto, nas questões do pode não pode, deve não deve, sim o não, é a vontade do ateu cristão que determina o certo e o errado. De fato, é lugar comum na teologia atéia cristã, reinterpretar o que foi dito para que deixe de dizer o que queria dizer, mas diga aquilo que o ateu cristão determina que se diga. Neste sentido, a vontade de Deus sucumbe à vontade do homem, que se torna ele o criador depondo a Deus de Seu lugar original. Ato contínuo, Deus perde a existência e o direito a ela, uma vez que Ele deixa de ser uma realidade, tornando-se fruto do pensamento do homem e suas necessidades.

Ora, este tipo de postura não permite que Deus seja efetivamente Deus, pois coloca a decisão última quanto às questões éticas, morais e da existência no próprio homem, não em Deus. É que Deus passa a existir apenas na medida em que o homem existe e pensa sobre Deus, como resposta a seus anseios últimos. Por fim, separa a Deus de Cristo, como se houvesse uma dicotomia necessária entre eles, quando o testemunho de Cristo é que Ele e o Pai são UM.

Ao fim e ao cabo, tanto o ateísmo cristão quanto o ateísmo clássico são uma forma do homem tentar abster-se da existência de um Deus que determina o que é bom e condena o que é mal. É um exercício inócuo da razão não modificada pelo Espírito, porque nem mesmo Lhe reconhece a Existência.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Orkut

 

Não gosto do Orkut. Já gostei e gastei muito tempo naquele negócio. Mas hoje, já orkuticidei por duas vezes.

E há diversos motivos pelos quais não gosto: perda de tempo, perda de tempo e perda de tempo são três deles. Mas há outros. Um dos principais é que a criação de tipos para cada orkuteano é teatral demais. O Orkut é como uma mescla virtual de a Fazenda com Big Brother, em tudo o que há de falso e sem noção em cada um dos programas. Todos vivem uma grande peça teatral, com vistas sabe lá a quê.

Essa liberdade para ser um outro, uma personagem, permite que o orkuteano fale dos mais variados assuntos, como especialistas ou expressando suas idéias e opiniões sem a mínima culpabilidade ou responsabilidade sobre elas. E, de fato, o fazem alhures. E também no campo religioso.

Olhando as comunidades que carregam o nome de adventistas este fenômeno se torna mais deprimentemente claro, mas nos permite ter um vislumbre de como anda a fé e o comprometimento de nossos jovens e membros.

A principal comunidade no orkut relacionada com os adventistas é a Adventistas do Sétimo Dia. As outras comunidades de uma forma ou de outra são devedoras ou diretamente saídas desta comunidade. Segundo a última contagem (acessada dia 16/08/2009), esta comunidade conta com 74.898 membros. Entratanto, destes quase setenta e cinco mil membros, não mais que 500 são ativos na comunidade. De fato, as discussões costumam sempre ser travadas entre um grupo de 50 a 100 membros.

Há um recorrência de temas, geralmente amenidades, conversas sem cunho religioso, coisas do dia a dia. Estes tópicos crescem de forma quase instantânea. Do outro lado, encontram-se os tópicos relacionados com assuntos bíblicos, que não crescem e não passam de alguns poucos participantes e mensagens, geralmente reclamando que aquele assunto é bobagem, chato e que não salva.

Não fosse já perigoso este desdém por temas bíblicos por parte da maioria dos participantes ativos da comunidade, sobejam ainda acusações veladas e não tão veladas contra a liderança da Igreja, pastores, etc. Destarte, não se poupam mesmo os princípios da igreja, princípios da Bíblia, trocados pelo "eu acho", "eu penso", "mesmo que a Bíblia diga, eu penso que é assim", "Ellen White não me diz nada...", "A igreja não manda em mim", "eu faço o que eu quero", "o que vale é o que me aproxima de Deus".

Por fim, acontece o que talvez seja um dos piores problemas nesta comunidade. O péssimo testemunho de muitos que se dizem Adventistas. Não poucos não adventistas frequentam ou participam esporadicamente da comunidade, com questionamentos sobre nossas crenças, sinceros ou não, e são rechaçados da forma mais sarcástica e mal educada possível. Destes, alguma vezes, lemos mensagens que afirmavam que se aqueles eram os adventistas, infelizmente eram a pior representação do adventismo, ou que esperavam sinceramente que aquela forma simpática de receber aqueles que pensam diferentemente de nós não fosse o normal da Igreja Adventista.

O que pensar de tudo isto? Posso pensar apenas que há uma total falta de comprometimento com os princípios da Bíblia, por parte daqueles que deveriam defendê-los. Vive-se em uma época de relativismo, no qual a IASD é apenas uma parte ínfima, pequena do grande corpo do cristianismo, absolutamente sem diferencial salvífico ou identidade profética e bíblica. Apenas mais um entre muitos e diferentes caminhos.

Não penso assim. Não posso pensar assim, sem deixar de pensar que a profecia então falhou! Que a Bíblia não é a Firme Palavra Profética. Como, ao contrário, penso firmemente que cada palavra pronunciada de Deus, por Deus, é direta e infalível, penso que quando Ele previu o surgimento desta Igreja em 1844, Ele definitivamente a tinha em mente como um povo especial, separado e santo, a ser preparado para a transladação, mas que leva a resposabilidade de pregar a palavra de Deus a todos, conclamando-os a viver uma vida santa e ase juntarem ao povo de Deus a ser glorificado.

Rebaixar princípios? Nunca, jamais. Por isto não gosto do Orkut.